Glúten: Será mesmo um vilão?

Você já viu, nas prateleiras dos mercados, produtos com um selo bastante atraente indicando que aquele alimento “Não contém glúten”?

GlútenÉ obrigatório, desde a Lei federal 10.674 de 2003, que os produtos alimentícios comercializados informem sobre a presença de glúten em seu rótulo – o que é de importância indiscutível, já que protege pessoas celíacas de ingeri-los sem querer.

No entanto, o que se questiona é:

A estratégia utilizada pelas empresas de produtos alimentícios em ostentar selos informando a ausência de glúten é realmente útil e direcionada ao público correto? Ou seria uma jogada de marketing para fazer com que você opte por uma marca, sem saber ao certo o porquê?

O fato é que, não raramente, converso com pessoas que frequentemente se confundem em relação às informações relacionadas glúten. Até mesmo na palestra que ministrei sobre esse assunto, as dúvidas foram muitas!

Por isso, resolvi trazer este conteúdo um tanto polêmico pra cá, a fim de acabar com qualquer confusão a respeito do glúten!

Continue lendo para entender:

  • O que é o glúten?
  • Ele está presente em quais alimentos?
  • Quais são as doenças relacionadas ao glúten?
  • Retirá-lo da dieta ajuda a emagrecer?
  • Não posso comer glúten. E agora?

 

O que é o glúten?

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Em poucas palavras: O glúten é uma proteína complexa formada a partir das prolaminas e das gluteninas que estão no endosperma da semente de certos cereais. 

É muito útil na indústria alimentícia por estar presente na farinha de trigo, um dos ingredientes principais na confecção de pães, massas, bolos, biscoitos, etc.

Alguns milhares de anos antes de Cristo, os egípcios cultivavam os primeiros grãos de trigo em uma escala maior.
Já no século XVIII, a revolução industrial modificou o processo de moagem, passando a utilizar máquinas ao invés da agricultura familiar, o que levou a produção à outro patamar.

Os acontecime20030127-piramide_alimentarntos da primeira metade do século XX, como as guerras e a crise econômica de 29, causaram um racionamento de carne e laticínios, o que ocasionou num aumento mundial no consumo de massa e pães, já que eram mais baratos e acessíveis.

Na década de 80, os fast foods, onde os lanches se constituem de sanduíches feitos a base de farinha de trigo, começaram a se disseminar mundo afora e, por fim, nos anos 90, veio a ideia da pirâmide alimentar para a população, onde sua base representava os alimentos que deviam ser mais consumidos, constituídos de massas e pães.

 

Principais alimentos que contém glúten

Certo, falamos muito do trigo, pois é o principal desencadeador da intolerância. Mas o glúten está presente em outros alimentos bastante conhecidos, como a cevada e o centeio.

Outros cereais, como a aveia, originalmente não possuem glúten, porém costumam ser moídos em máquinas que também processam o trigo, tornando-os suscetíveis à “contaminação”. Por isso, é comum ser informado no rótulo do produto que aquele alimento “pode conter traços de trigo”, logo, pode conter glúten!

Entretanto, existem alimentos que deixam muitas pessoas em dúvida, mas originalmente não contém glúten (e também não são processados em máquinas de moer trigo), como o arroz, o milho e a quinoa!

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Quais são as doenças relacionadas ao glúten?

O glúten pode ser um vilão daqueles cruéis para algumas pessoas. Isso porque existem doenças relacionadas ao seu consumo, que oferecem riscos sérios à saúde.

Portanto, se você possui predisposição a uma das doenças citadas abaixo, dentre outras, deve evitar alimentos que contenham glúten a todo custo! E não deixe de ver o tópico que escrevi mais abaixo…

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Doença celíaca

Para identificar a doença celíaca, exames de sangue e endoscopia são utilizados, após relato de sintomas suspeitos, que podem ser vômito, dor abdominal, diarreia, emagrecimento, acarretando prejuízo na absorção de nutrientes levando a anemia e osteoporose.

Sensibilidade não celíaca

Já na sensibilidade não celíaca ao glúten, o exame tem resultados normais e os pacientes sentem os sintomas parecidos com a doença celíaca, sem alterações no intestino. Devido ao discurso disseminado sobre os males que o glúten causa, tal sensibilidade acaba sendo potencializada por um efeito psicológico. Para identifica-la, teria que ser utilizado um marcador no sangue ou fazer testes para analisar o organismo sensível.

Alergia aos derivados do trigo

Já no caso da alergia, os sintomas (Asma, anafilaxia, alergias nasais e urticária) são visíveis, pois o sistema imunológico tem uma resposta exacerbada quando o organismo entra em contato com o trigo tratando-o como agente agressor.

Ataxia por glúten

A Ataxia por glúten é caracterizada como doença autoimune que ataca o cerebelo, prejudicando os movimentos musculares voluntários como ficar de pé, engolir, andar e deitar. Muitas vezes é difícil de ser detectada. Geralmente quando os sintomas da doença se estabilizam ou melhoram com a dieta isenta, então é considerado um forte indício de que foi induzida pelo glúten. São utilizados os exames de sangue específicos para doença celíaca, embora esses testes também não sejam considerados totalmente precisos.

Asma de Baker (Asma do Padeiro)

Caracterizada como uma doença ocupacional, na qual ocorre alergia respiratória às proteínas do trigo. É também chamada de asma do padeiro, por conta do contato contínuo desses profissionais com os derivados do trigo.

 

Retirar o glúten da dieta ajuda a emagrecer?

Se você busca emagrecer, provavelmente alguma vez se perguntou sobre o tal do glúten…

Será que ele pode estar fazendo a diferença naqueles quilinhos a mais?

Será que aquele alimento que anuncia em seu rótulo a ausência de glúten é mais interessante para fins de emagrecimento do que outro que possua glúten em sua composição?

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Bom, retirar o glúten da dieta pode até ajudar, mas em curto prazo. Afinal, tirar o glúten significa evitar itens calóricos como pão, macarrão e cerveja.

Porém devemos tomar cuidado pois alguns alimentos sem glúten podem conter quantidades muito maiores de calorias, pois as indústrias alimentícias, salvo exceções, acrescentam açúcar e gordura na receita para melhorar o gosto e a textura, para compensar a ausência do glúten.

Afinal, para quem não é intolerante, existem vantagens em praticar uma dieta isenta de glúten?

Esse é certamente o assunto que gera mais dúvidas, então vamos direto ao ponto: Não é vantajoso.

“Não é vantajoso excluir o glúten da dieta, se você não tiver problemas com ele.”

Digo isso pelo fato de ser uma alimentação mais cara, muitas vezes calórica e que pode restringir a alimentação gerando ansiedade em relação a dieta sem necessidade. 

Entretanto, o corte do glúten é muito incentivado equivocadamente, por dietas marqueteiras (aquelas da dietas moda, que volta e meia aparecem na mídia, nos oferecendo fórmulas milagrosas para emagrecer) e empresas de produtos alimentícios que desejam aumentar as vendas de seus produtos sem glúten.

 

Não posso comer glúten. E agora?

Até aqui falamos sobre hipóteses de retirar o glúten da dieta sem a real necessidade.

No entanto, se você possui uma das doenças citadas aqui, deve se manter longe do glúten!

Você talvez esteja pensando… E agora? Não vou poder comer massas, bolos, pães e outros alimentos que fazem parte da nossa cultura?

Calma, não há motivo para desespero… Felizmente, hoje em dia existem muitas receitas deliciosas voltadas especificamente para pessoas como você!

Eu recomendo o livro virtual 35 Receitas livres de glúten, que vem trazendo preparações doces e salgadas, muito saborosas e fáceis de preparar! São elaboradas por Makelle Espindola, membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e celíaca (ou seja, ela sente na pele a intolerância ao glúten).

Não deixe de conferir, tem um ótimo custo-benefício e você recebe o conteúdo imediatamente após a compra!

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Conclusão

Portanto, cortar a proteína do glúten sem orientação não é uma boa ideia. Parar de consumir o glúten por conta própria pode atrapalhar o diagnóstico da doença celíaca, uma vez que a parede intestinal se recupera em parte e deixa de apresentar alterações nos exames.

Para emagrecer, o importante é conhecer os sinais que o corpo indica e relatar ao profissional de saúde para que possa orientá-lo de forma adequada.

“O questionamento é essencial para o avanço da ciência.”

Vale ressaltar que este assunto ainda gera muitas polêmicas por estar em pleno estudo e ainda está longe de ser colocado como inquestionável.

Agora é sua vez! Compartilhe. Conte aos seus amigos. Ajude a fazer da internet um lugar com mais informações de qualidade!

 

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